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A ORDEM DO DISCURSO

Resenha do livro A Ordem do Discurso – (Filosofia) – Michel Foucalt – Edições Loyola – 2007

Data: 19/06/08

A FILOSOFIA DO DISCURSO

Por: Natália Alves

A Ordem do Discurso é a aula inaugural de Michel Foucalt no Collège de France. Na primeira parte do livro Foucalt fala sobre os discursos na sociedade e todo o poder de repressão que os permeiam. Já na segunda parte ele explica como será sua linha de estudos e investigação nos cursos do Collège de France. “É preciso pronunciar palavras enquanto as há…” (pág. 6)

Segundo Foucalt, existem três grupos de repressão do discurso. O primeiro se divide em: interdição, segregação da loucura e vontade de verdade. A interdição pode ser explicada, de forma simples, da seguinte maneira: há tabus, ou seja, existem assuntos que não podem ser ditos por qualquer um, nem para qualquer pessoa ou, até mesmo, nem serem citados. Dois grandes tabus na sociedade é a política e a sexualidade, tema este que Foucalt enfatiza do início ao fim do livro. Tanto a interdição quanto a segregação da loucura se orientam em direção a vontade de verdade.

Um discurso que não é compreendido pela sociedade ou que vai contra os parâmetros é excluído, ou seja, marginalizado. Assim se chega a segregação da loucura. Não é de interesse da sociedade ouvir o discurso dos loucos, pois não contém a verdade conhecida e legitimada. Mesmo com a evolução da medicina nesta área apenas os psicólogos e psiquiatras os escutam, mas com distância. Um discurso só tem validade se está sob o caráter de verdade. Mas como saber o que é verdade ou mentira? Quem tem o poder da verdade? Os discursos são produzidos e modelados por sistemas de regras, vigentes na sociedade e em cada âmbito do saber, o que lhes permite ter o poder de ser verdadeiro.

O segundo grupo de limitação do discurso é realizado internamente e se divide em: comentário, autor e disciplina. “O comentário limitava o acaso do discurso pelo jogo de uma identidade que teria a forma da repetição e do mesmo. O princípio do autor limita esse mesmo acaso pelo jogo de uma identidade que tem a forma da individualidade e do eu” (pág. 29). Já a disciplina exerce sua repressão ao impor regras e limites. Para fazer parte de uma disciplina é necessário seguir parâmetros teóricos e ser validado no âmbito da verdade.

O terceiro grupo determina a forma como o indivíduo fará seu discurso. Este grupo se dividem em: ritual, “sociedade de discurso”, doutrina e apropriação social do discurso. “O ritual define a qualificação que devem possuir os indivíduos que falam” (pág. 39). As “sociedades de discurso” produzem e difundem seus discursos para si de acordo com suas próprias regras. O discurso fica limitado para poucos. Já a doutrina é feita pra ser difundida para um grande número de pessoas. É necessário que se entenda o discurso como verdadeiro e que haja aceitação, por parte dos ouvintes, das regras impostas que podem ser flexíveis. “Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo” (pág. 44).

Este livro é recomendável para todos que admiram as obras de Foucalt e se interessam por Filosofia. Também é muito bom para os estudantes de comunicação, pois estão sempre lidando com as palavras e, conseqüentemente, com o discurso. Para o leitor que teve interesse pelas obras de Foucalt, na editoria Fichamentos há um fichamento de uma das obras mais famosas dele, Vigiar e Punir.

Setembro 1, 2008 - Publicado por Natália Alves | RESENHAS - livros | , | 3 Comentários

3 Comentários »

  1. parabéns!!!

    muito boa resenha, ficou mais claro a minha interpretação do livro de foucalt após ler sua resenha!!

    Comentário por Geovani | Novembro 10, 2008 | Responder

  2. ai faço o terceiro semestre de historia e vou fazer um seminario do livro de foucault valeuuuuu!!! sua resenha ta boa pacas!!! precisa de melhorar mas ta no caminho!!!

    Comentário por bruna | Novembro 19, 2008 | Responder

  3. Releia o livro, você não entendeu algumas coisas.

    A separação é um procedimento de exclusão externo, mas a segregação da loucura é apenas um exemplo que ela dá, o procedimento rejeita discursos de sujeitos que são considerados não razoáveis, não somente os loucos.

    Comentário por Manuel | Julho 17, 2009 | Responder


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