PERFUME – A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO
Resenha do filme Perfume – A História de um Assassino – (suspense) – Tom Tykwer
Data: 05/08/08
UM MONSTRO E O SEU DOM
Por: Natália Alves
O filme é uma adaptação da obra de Patrick Suskind (O perfume – História de um Assassino). A narrativa literária faz uso da escrita para retratar um sentido olfativo enquanto o filme faz uso da visão e da audição. Apesar do filme retratar diversidades em imagens como, por exemplo, frutas, pessoas e animais a narração literária transpõe melhor o sentido olfativo do que as imagens.
Ao ler o livro há a sensação de poder sentir os aromas descritos através do imaginário criado na mente, assim como, Grenouille criava fragrâncias em sua memória. Mas as imagens visuais e auditivas não dão muita margem às imaginações olfativas.
Mas a transposição para o audiovisual foi, de certa forma, satisfatória, pois o filme transpõe muito bem a essência de Grenouille e do seu único objetivo. Apesar de certas diferenças com o livro como, por exemplo, o filme começa com o final da história e o livro respeita a seguinte ordem cronológica: início, meio e fim; passado, presente e futuro e no filme a estadia de Grenouille com o padre Terrier não foi abordada, entre outras diferenças que não mudam o sentido geral da história.
Grenouille era apenas uma “coisa” entre as pessoas. Não exalava sequer um cheiro próprio e muito menos sentia compaixão, amor ou qualquer destes sentimentos simplórios para com algum ser humano. Ele era apenas capaz de amar os aromas, ser feliz ao sugar para dentro de si um novo cheiro que o embriagasse. Um rapaz magro, de aparência singela e insignificante que era imperceptível a qualquer pessoa, mas que possuía um dom que fazia dele o ser humano mais espetacular que já existiu. Tinha o poder do olfato aguçado e com este dom podia conquistar o mundo.
Mas para alcançar seu objetivo precisava aprender o melhor modo de se obter e preservar um aroma puro, a aura das “coisas”. Precisava desta técnica para criar um único perfume que apenas com uma gota caída do frasco em seu corpo faria com que o mundo o amasse, o desejasse, o visse como um Deus ou um anjo. Então seu objetivo era criar este perfume para provar a si mesmo do que era capaz de fazer, e ele sabia que era, para se firmar como um Deus, que ele sabia que era e, desta forma, colocar o mundo aos seus pés, com todos o amando.
Grenouille queria provar a si mesmo que podia ser o melhor perfumista que o mundo já conhecia e ele sabia que o perfume que desejava fazer faria com que todas as pessoas o amassem e o percebessem. Ele nunca fora amado e muito menos fora desejado por alguém. Mas mais do que ser amado ele queria gozar de sua imponência diante dos inúteis seres humanos que andavam pelas ruas com seus cheiros insignificantes e de pouquíssima inteligência.
A resenha do livro O perfume – História de um Assassino encontra-se na categoria “Resenhas – livros”.
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