UMA TEORIA DA CULTURA DE MASSA
Data: 05/04/08
Fichamento do texto Uma Teoria da Cultura de Massa – Dwight Macdonald
Por: Natália Alves
Segundo Dwigth Macdonald existem dois tipos de cultura. A cultura popular vem de baixo (do povo) é produzida pelo povo para satisfazer as suas necessidades. Já a cultura de massa vem de cima, ou seja, é produzida por técnicos contratados pela classe governante para o consumo da massa. No caso da cultura de massa o seu público se limita em comprar ou não comprar. A cultura de massa não é uma expressão individual do artista e ao contrário da cultura popular (ligada às tradições) não representa o povo.
A democracia política possibilitou uma educação popular que fez com que a massa começasse a se integrar na área da cultura, que era limitada a uma minoria. Visando esta ascensão da classe popular na cultura as empresas comerciais perceberam uma oportunidade de obter grandes lucros investindo nestas demandas. Outro fator que propiciou o desenvolvimwento da cultura de massa foi o avanço tecnológico que possibilitou a produção barata e a criação de novos meios de comunicação no mercado visando atender a cultura de massa com o único objetivo de vender e obter lucros.
“O mau afugenta o bom, visto que é mais compreendido e apreciado”, esta lei se aplica à cultura, pois a cultura de massa vem aos poucos tomando o espaço da “alta cultura” e sendo muito vendida e valorizada pelas pessoas. E justamente a cultura de massa é o mau que é falado na lei de Gresham que afugenta o bom (alta cultura). A cultura de massa é manufatura e “mastigada” tornando-se totalmente simples para o seu público que não precisa ter o trabalho de refletir sobre a arte em que ele está tendo contato. Devido a isto, esta forma de cultura se destaca, pois é mais de fácil de ser compreedida e, conseqüentemente, apreciada, assim como diz a lei de Gresham.
A cultura de massa tende a democratizar todas as formas de cultura existentes, ou seja, colocá-las todas em um mesmo patamar (padronização). Isto ocorre, pois a cultura de massa não está interessada em vender valores e, muito menos, ser de difícil compreensão. Ela precisa ser de fácil distribuição e para isto a padronização facilita e, também, precisa que o seu público a aceite sem questionamentos e para isto os valores precisam ser anulados. E para não ter valor não se pode ter discriminação, ou seja, precisa que tudo seja homogeneizado sem problemas de questionamentos.
O ideal da felicidade, da beleza, da harmonia e o bem-estar, assim como, também o da tragédia e o drama são conceitos vendidos pela cultura de massa. Estes conceitos, que são produzidos e distribuídos para a massa, criam uma fuga da realidade, ou seja, os adultos que vivenciam problemas, pessoais, profissionais e psicológicos, tendem a buscar essa fuga na cultura de massa e, desta forma, vivencia uma fase de infantilismo e também de juventude, pois não enfrentam seus problemas. A fuga para esta fase é justamente porque, para muitos, é a melhor época da vida onde não se tem tantos problemas e quando se tem a mãe protetora sempre ao lado cuidando do “filhinho”.
O academicismo veio à tona para competir com a cultura de massa. Usando a idéia de ser autêntico exteriormente, mas fazendo uso dos mesmos métodos da cultura de massa, ou seja, é um cultura de massa sofisticada. Já o vanguardismo não queria competir e sim tentar achar um espaço para a arte da “alta cultura” baseando-se em uma elite mais intelectual do que social.
Macdonald é bem pessimista quanto a cultura de massa. Esta afirmação pode ser averiguada nos seguintes trechos: “É verdade que a Cultura de Massa começou como uma excrescência parasitária, cancerosa, da Alta Cultura e, até certo ponto, ainda continua a sê-lo”. “O kitsch “mina” a Alta Cultura como os imprevidentes exploradores da fronteira minam o solo, extraindo-lhe as riquezas e nada lhe dando em troca”. Nestes trechos o autor deixa claro que a cultura de massa é bem inferior à “alta cultura” e ruim para a vida cultural das pessoas. Também evidencia o fato da cultura de massa explorar a tradição e os conceitos da “alta cultura” para os seus objetivos.
“Mas a homogeneização da Alta Cultura e da Cultura de Massa já foi longe, continua a ir cada vez mais longe, e parece haver poucas razões para se esperar a ressurreição do Vanguardismo…”. “Sejam quais forem as virtudes do artista folclórico, e elas são muitas, a capacidade de resistência não é uma delas. E a capacidade de resistência é a virtude essencial de quem quiser resistir à vasa da Cultura de Massa, que se espalha cada vez mais”. Nestes trechos o autor demonstra não acreditar que a cultura de massa possa evoluir em conteúdo e também não acredita que outras formas de expressão da cultura possam se desvencilhar da cultura de massa resistindo aos seus domínios.
PONTO DE VISTA (PESSOAL)
Analisando o que o texto propõe é certo criticar tanto a “alta cultura” quanto a cultura de massa, pois a primeira presenciou a cultura de massa fazendo uso de sua tradição a corrompendo para fins lucrativos e pouco fez para contornar a situação. De acordo com o texto, houve apenas duas tentativas da “alta cultura” de resgatar sua tradição e fazer prevalecer a boa culttura através do academicismo e o vanguardismo, sendo que o academicismo foi uma tentativa frustrada e vergonhosa, pois se tratava apenas de uma cultura de massa mais sofisticada.
Entendo cultura feita pelo povo e para o povo como uma idéia original e benéfica, mas no caso da cultura de massa o que menos interessa são as necessidades e opinião do povo, pelo contrário, ela tenta oprimir as opiniões e restringir a cultura a uma mercadoria. Mas acredito que o autor foi muito pessimista, pois nem tudo que é produzido pela cultura de massa tem, necessariamente, de ser descartável. Há muitos filmes, grupos musicais, peças de teatro e artes em geral que têm valor, conteúdo e que induz um pensamento e consciência ao público como, por exemplo, o filme Traffic ou o filme Syriana (ambos de produção da cultura de massa).
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