PROFISSÃO JORNALISMO
Por: Natália Alves
Ricardo Albuquerque é jornalista e relações públicas. Nesta entrevista ele falou um pouco sobre sua história no jornalismo, deu dicas aos estudantes e avaliou a profissão nos tempos atuais.
NNoticia: Como foi o seu início no jornalismo? O primeiro estágio?
Ricardo: Desde muito novo gostei de escrever, mas é um engano achar que por gostar de escrever deve ser jornalista. Me formei em química e biologia. O mercado para biologia era muito fechado e acabei aceitando uma bolsa na faculdade de comunicação. Optei por relações públicas. Na época eu trabalhava no Banco Nacional e a única forma de crescer lá dentro era estudando relações públicas. Aprendi muito e este aprendizado me ajudou a trabalhar com jornalismo.
NNoticia: É comum, hoje em dia, jornalistas trabalharem em assessoria de imprensa. Mas há uma discussão quanto a isso, pois alguns defendem que assessoria é trabalho de relações públicas. Qual sua opinião sobre isso?
Ricardo: Se tiver capacidade, tanto jornalista como relações públicas, pode fazer. O jornalista fica mais na dele, fala pouco e por isso acredito que o relações públicas tem o perfil, pois precisa saber estar em qualquer ambiente e saber lidar com as pessoas. Como jornalista tenho que mostrar a verdade dos fatos, mas como assessor preciso defender minha empresa. Não estou dizendo que o assessor minta, mas ele tem que minimizar os fatos em favor de sua empresa.
NNoticia: Como é o seu trabalho, atualmente?
Ricardo: Antes de entrar no Municipal fui convidado a trabalhar na CNT, no programa Bem Forte, ainda sem ser jornalista. No 1º período já comecei no Vila em Foco como estagiário, sempre com foto e texto. Fotografo desde 88. Quando terminei a faculdade de relações públicas em 97 fui para o Municipal e para o Bem Forte. Atuo em três artes: jornalismo, relações públicas e publicidade. Sou totalmente apaixonado pela profissão.
NNoticia: Você costuma lidar com estagiários? Eles estão bem preparados para exercer a profissão?
Ricardo: Temos três estagiários no Vila em Foco. Vejo que, hoje em dia, as pessoas escolhem estágio pensando no que vai receber e eu penso em aprender.
Os estagiários chegam muito mal formados, principalmente na prática. Com relação à escrita, ou seja, o português, eu diria que 30% precisam melhorar, mas na prática uns 90% tem muita dificuldade. Percebo que há falta de iniciativa nas pessoas.
Falta muita base nos estagiários. O jornalismo é prática. As pessoas saem cruas das universidades e se terminar sem estágio é pior ainda. Se você chegar numa redação de jornal cru, você será somente instrumento barato.
NNoticia: Quais seriam as dicas para os estudantes que estão em busca de estágio?
Ricardo: A primeira coisa é querer, iniciativa, independente de grana, pois, geralmente, os estudantes têm um suporte, na maioria das vezes, dos pais. Sempre no seu bairro tem um jornal local e tem uma rádio comunitária. Já passei por vários jornais dos bairros do Rio e sei que, a maioria deles, não tem suporte para o estagiário. Iniciativa acima de tudo. O profissional ,hoje em dia ,é multimídia.
O legal de estagiar em um veiculo de comunicação independente é ter uma vantagem em um processo seletivo. Hoje em dia, você pode pegar uma câmera digital e fazer um programa e para saber se está certo pergunte ao seu professor.
Tenta, estuda. É tímido, então se tranca no quarto, escuta uma rádio e treina. Melhor escola de rádio é a rádio AM. Escuta uma rádio AM.
NNoticia: Esta questão do profissional ter que ser “multimídia”, ou seja, exercer variadas funções pode acarretar na queda da qualidade do trabalho? E quanto à colaboração das pessoas em jornais? E a Internet?
Ricardo: Já ta caindo. É uma profissão que ela vai de uma seriedade e ,ao mesmo tempo, tem o glamour. A qualidade do jornalismo está caindo muito porque, antigamente, você se aprofundava na matéria, tinha tempo, hoje em dia, o jornalismo é produção, quanto mais matéria fizer melhor.
Depende da direção do veículo e do perfil. Pode sim receber uma colaboração desde que passe por um crivo de um editor.
A Internet é um espaço livre. É apenas mais um instrumento. Com relação a blog e diários, aí não há quem controle. Mas quando o veículo é de comunicação registrado, tem que ter a responsabilidade com a população.
Contato: ricardoalbuquerque1@gmail.com
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