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CAOS NO RIO DE JANEIRO

6 abr

Por: Natália Alves

Imagens oriundas de sites na Internet

Ontem o dia amanheceu como qualquer outro. Não chovia e o céu estava um pouco nublado. Como de costume, acordei cedo e fui trabalhar. Mas durante o passar do dia chegou a chuva. Um dia inteiro chovendo, chuva fraca, algumas pancadas, às vezes uma parada, mas logo voltava a chover.

Por volta das 18h30 saí do Leblon com destino a Tijuca. O “pequeno” detalhe desta historia é que eu estava sem guarda-chuva. Conclusão, o caminho até a Tijuca não foi tão conturbado, pois peguei metrô em Ipanema. Mas no percurso que andei até chegar ao meu destino na Tijuca, eu peguei muita chuva. Durante o trajeto, vi pessoas “amontoadas” em pontos de ônibus e embaixo de marquises, pois os veículos não conseguiam andar, ou seja, os ônibus não chegavam aos pontos.

Mas meu tormento começou quando fui pegar o ônibus para voltar para casa. Fiquei esperando o ônibus aparecer no ponto final por quase uma hora. Entrei no ônibus por volta das 22h40 e o ônibus lotou. Em poucos metros, o ônibus chegou ao engarrafamento. Mais de meia hora parado no mesmo ponto! Nada se mexia! As ruas, em plena meia-noite de terça-feira, estavam cheias de veículos e pessoas. Quando foi meia-noite e meia, eu e mais três moças descemos do ônibus e andamos até nossas casas, pois o trânsito não fluía. Andei muito até chegar em casa porque estava bem distante. Passei por trechos alagados, mas o pior foi em uma rua estreita onde a água bateu em minha cintura. Estávamos, eu e as meninas, com nojo da água, medo de pegar doença, medo de cair em algum buraco, mas a vontade chegar em casa foi o que nos guiou. Vi pessoas ilhadas sem ter para onde ir porque era água para qualquer lado que olhasse.

Para piorar a minha situação, quando cheguei em casa não tinha luz. Tive que tomar banho, jantar (meu jantar foi às 2h da manhã, quando cheguei em casa), fazer tudo no escuro, apenas com velas acesas após ter passado por tanto transtorno. Cheguei exausta em casa de tanto andar e fazer força para passar nos alagamentos. Praticamente tomei um banho de álcool 70º para não pegar doença infecciosa, pois as águas dos alagamentos tinham tudo qualquer tipo de sujeira, sem falar dos bueiros que transbordaram. Foi uma sensação de tristeza e impotência diante do caos que se alastrou no Rio de Janeiro.

Hoje de manhã quando acordei, liguei a televisão para ver o noticiário e só assim pude ter noção de todos os estragos na cidade. Agora em que escrevo este texto, foi noticiado que já são 94 mortos devido a chuva de ontem e de hoje. A chuva causou alagamentos em diversos pontos da cidade, desabamentos, engarrafamentos, uma total desordem. Acredito que toda a população concorda que caiu e ainda cai sobre a cidade um grande volume de chuva que é atípico. Mas será que o motivo de tantas mortes e de horas intermináveis de engarrafamento foi só devido a isto?

É de conhecimento de todos, que utilizam ônibus diariamente, que o transporte público é caótico. E não só ônibus, mas o metrô também vem apresentando problemas como atrasos, por ter que ficar muito tempo parado esperando a liberação do trajeto, e isto foi noticiado em matérias dos principais jornais da cidade. Algumas linhas de ônibus são bem eficientes, os passageiros esperam pouco no ponto, pois de 20 em 20 minutos tem condução. Mas, em compensação, tem linhas que a espera chega a passar de meia hora quase todos os dias. É um descaso com a população que cada vez mais tem que pagar passagens que aumentam de valor e não tem retorno no serviço. Ônibus sujos na parte interna e externa, o tratamento por parte dos funcionários com a população é péssimo, não generalizando, sem falar que os engarrafamentos em certos pontos da cidade são constantes.

Por que debaixo desta chuva o trânsito do Rio de Janeiro parou e algumas pessoas não conseguiram voltar para suas casas? Especulo algumas causas e o leitor, possivelmente, concordará comigo. São muitos veículos diariamente nas ruas da cidade, o que pode gerar, vamos assim dizer, um trânsito lento. Junta com o fato de não ter muitas alternativas para chegar a bairros com grande migração de pessoas para o trabalho. Por exemplo, o Túnel Rebouças e a Lagoa Rodrigo de Freitas estão sempre engarrafados nos horários em que as pessoas vão e voltam do trabalho. As alternativas para ir a Zona Sul também ficam engarrafadas. Por exemplo, para ir a Zonal Sul, uma alternativa é o Túnel Rebouças que normalmente está engarrafado tanto indo para o trabalho, de manhã, quanto voltando. E isto posso afirmar, pois o ônibus que pego passa todos os dias pelo Túnel. Outra opção seria o Aterro do Flamengo, mas para chegar lá tem que passar pela Presidente Vargas que geralmente após às 8h fica bem engarrafada, pois é uma das vias principais do Centro da Cidade. Realmente fica difícil ter opções para quem precisa estar no trânsito todos os dias. Junto a isto, soma-se a demora dos ônibus, que ora atrasam por ter engarrafamento e ora atrasam por, sabe-se lá o motivo. Já ouvi muito falarem na televisão e até ser discutido em grupos de pessoas, sobre utilizar o transporte alternativo, ao invés do carro, para diminuir a quantidade de veículos nas ruas. Mas se todas as pessoas que andam de carro resolverem andar de ônibus, como será, já que normalmente os ônibus andam lotados?

Outro problema são as ocupações irregulares, ou seja, casas construídas em morros, em locais de risco, que com qualquer chuva forte podem desabar devido a deslizamentos. A ocupação desregular é um problema em qualquer metrópole devido o êxodo rural, entre outros fatores. Portanto, esta chuva veio para deixar claro que há urgência em tratar destes problemas citados acima. Tanto a Prefeitura, quanto o Estado e o Governo Federal precisam buscar soluções e implantá-las o mais breve possível, de preferência em conjunto. Não adianta ficar inaugurando obras, fazendo campanhas eleitoreiras, criando “tapa-buracos” para solucionar questões que envolvem problemas maiores, enquanto as necessidades básicas dos cidadãos estão sendo desrespeitadas.

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