A SOLIDÃO DE UMA VIDA FELIZ
Data: 31/07/07
Por: Natália Alves
Queremos isso e mais aquilo e mais aquilo outro e assim repetidas vezes. Temos necessidades, mas será que são todas nossas? Beleza, erotismo, felicidade, saúde, atenção e identificação, tudo que é preciso para viver em sociedade.
Somos belos, mas o creme facial da propaganda pode acabar com as espinhas nos deixando com o rosto da jovem loira e linda que vende o produto na TV. As cirurgias podem modificar toda a estética de um corpo esquecido, julgado inferior. Tudo se pode em prol das necessidades, tudo se consome em prol delas e tudo se refaz para a satisfação do outro.
O outro é quem nos julga, nos altera, nos diz o que fazer, nos permite pertencer a algo e nos permite sonhar. Nos identificamos e vivemos o imaginário ideal que nos é oferecido, aceitamos as necessidades do outro como se fossem nossas e agradecemos por pertencer. Somos felizes! Não importa o que é preciso fazer para alcançar a felicidade, o que importa é ser alguém para o outro.
Queremos atenção! Suplicamos por atenção! É necessário comprar a calça jeans usada pela “mocinha” na novela para pertencermos. Precisamos ser ouvidos, necessitamos ser vistos e sentidos. Somos belos depois de um dia no salão de beleza, somos eróticos depois de assistir um filme pornô, somos felizes depois de suprir necessidades, que não sabemos se as temos, somos saudáveis quando somos belos, temos atenção quando pertencemos e nos identificamos com o outro.
Sonhar com uma vida perfeita, o marido amável e rico das novelas, vida social agitada igual a das celebridades, cabelos longos e lisos produzidos pelas progressivas, chocolates, chapinhas e por aí vai, comer pouco ou, até mesmo nada, para que os ossos à vista mostrem nossa dedicação aos padrões de beleza, olhar para o outro e desejar ser o que não é, viver a vida que agrade ao grupo ao qual pertence. Isto é a vida perfeita deste mundo consumista. Esta é a realidade ideal para um mundo alienado. Esta é a solidão de uma vida “feliz”.
O MODO DE VIDA NOS CENTROS URBANOS
Data: 02/05/07
Por: Natália Alves
Os centros urbanos englobam uma grande variedade de pessoas com seus estilos e culturas variadas. A população nas cidades urbanas vem crescendo ao longo dos anos através do desenvolvimento da industrialização e a crescente oferta e demanda de empregos nestes grandes centros. A diversidade do modo de vida urbano é incomensurável, pois dentro de uma cidade pode-se encontrar diversas manifestações culturais como, por exemplo, a dança, a música e a crença e também uma grande variedade de etnias.
O movimento de transição dos centros rurais para os urbanos é um processo antigo que até hoje vem ocorrendo. As conseqüências deste êxodo rural podem ser observadas na crescente população periférica, na mistura de culturas e etnias, no crescimento geométrico da demanda e aritmético da oferta de empregos e conseqüentemente o aumento do trabalho informal. Outros aspectos relevantes são a carência na educação, no transporte e na saúde.
No Brasil há grandes centros urbanos que enfrentam todas estas questões e um deles é a cidade de São Paulo que segundo o site Ueba é quarta cidade mais populosa do mundo. Tanto São Paulo quanto as outras cidades urbanas do Brasil enfrentam a pobreza. De acordo com o Banco Mundial o número de pessoas que viviam na pobreza, em 2001, no mundo é de 1,10 bilhão. A população periférica cresce não apenas no Brasil, mas em outros países ao redor do mundo e as cidades estão cada vez mais ficando sem estrutura física e qualitativa para abrigar tantas pessoas, gerando problemas como, por exemplo, falta de saneamento básico e moradias precárias.
Outro aspecto que está incluso no modo de vida urbano é a poluição. A cidade de São Paulo é uma das cidades que mais poluem no Brasil com seu parque industrial. A poluição além de agravar o buraco da camada de ozônio também dificulta a convivência nos centros urbanos, pois gera doenças como, por exemplo, bronquites e disenteria. Mas apesar de todos estes percalços a vida nas grandes cidades tem suas compensações, pois as pessoas têm a possibilidade de ter contato com diversas culturas, diversos estilos de vida, têm muitas opções de lazer como, por exemplo, boates e teatros e a cada lugar por onde se passa há milhares de pessoas e vidas para conhecer.
CONSUMISMO E SOLIDÃO NA VIDA URBANA
Os jovens, principalmente os que moram nos centros urbanos, estão vivendo em uma época onde o consumismo está em alta, a banalização da cultura cresce cada vez mais e a tecnologia ocupa quase toda a vida de um adolescente, de classe média, com os horários de estudo, de trabalho, de jogar videogame e de sair com os amigos. Tudo é cronometrado, a vida está muito controlada pelo relógio. Isto ocorre porque a globalização gerou a cultura do efêmero, tudo deve ser consumido agora, no presente, e utilizado até outro produto chamar mais a atenção e apagar o “brilho” do outro fazendo com que a pessoa consuma mais e mais em busca de realizar seus desejos que mudam constantemente.
Muitas vezes os moradores das cidades urbanas como, por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro, têm a impressão de que não “habitam” a cidade onde moram, ou seja, não participam da vida social da cidade, não conhecem os lugares de lazer, pois estão sempre correndo contra o tempo. Esta falta de tempo e a necessidade de consumir cada vez mais diminuem as relações sociais entre as pessoas o que gera a sensação de solidão. Às vezes é difícil compreender o fato de existir a solidão em cidades onde vivem milhares de pessoas, mas Carlos Drummond de Andrade entendia muito bem este “fenômeno” quando escreveu os seguintes versos: “… estou cercado de olhos, de mãos, afetos, procuras. Mas se tento comunicar-me o que há é apenas noite e uma espantosa solidão (A Bruxa)“.
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