A DOENÇA DE ALZHEIMER
Por: Natália Alves
Segundo dados do site AlzheimerInfo, a doença de Alzheimer representa 40 a 70% dos casos de demência. Apesar da medicina não ter descoberto uma causa especifica para a doença, alguns fatores de risco são identificados e com isso pode-se evitar o aparecimento da enfermidade no futuro.
A doença de Alzheimer causa a atrofia do cérebro, ou seja, a morte dos neurônios responsáveis pela memória. Quando os sintomas começam a aparecer a doença já está ativa durante um tempo. Apesar de não se ter conhecimento de um motivo específico, existem os fatores de risco como, por exemplo, o pouco uso do cérebro, o envelhecimento, a depressão, as doenças cardiovasculares, entre outros.
Não há como tratar a doença, apenas retardar o seu avanço e cuidar do enfermo para que ele possa ter uma vida tranqüila e um bom ambiente familiar. Recentemente, foi lançado no mercado o adesivo Excelon Patch, uma nova alternativa aos remédios já usados pela medicina. Com o adesivo a medicação vai diretamente para a corrente sanguínea evitando certos transtornos que os compridos podem causar ao estômago, mas libera a mesma substância usada nos medicamentos tradicionais.
A doença de Alzheimer se divide em três fases: a primeira pode durar de um a três anos e alguns dos sintomas são, perda de memória recente, depressão e desorientação espacial; a segunda fase pode durar de dois a dez anos e alguns dos sintomas são, mudanças de personalidade, amnésia acentuada e alteração de linguagem (afasia); a terceira fase pode durar de oito a doze anos e alguns dos sintomas são, demência grave, incontinência urinária e fecal, impossibilidade de se alimentar sozinho, agressividade e fala sem nexo ou mutismo.
Segundo matéria, do dia 16/04/08, da revista Istoé, um teste, anunciado por cientistas, poderá identificar o surgimento da doença, assim como de outras. NuroPro é o nome do teste que recolhe amostra de sangue do paciente com o objetivo de identificar 59 proteínas, que de acordo com o nível de concentração, podem identificar o surgimento de doenças como o Alzheimer, o Mal de Parkinson (atinge a coordenação motora) e Esclerose Lateral Amiotrófica (degeneração de neurônios que controlam os músculos).
O doutor Paulo Canineu cedeu uma entrevista ao blog NNoticia sobre a doença de Alzheimer. Ele é médico Geriatra e Gerontólogo, doutor em gerontologia pela UNICAMP, professor de pós-graduação em Gerontologia da PUC – SP e diretor clínico do Hiléia – Vivência para a Maturidade.
Segue a entrevista:
NNoticia: Ainda não foi descoberto o que causa o doença de Alzheimer. Mas tem como prevenir? Há fatores de risco que podem propiciar o surgimento da doença no futuro?
Dr. Paulo: As demências ocorrem nas populações de qualquer país. O Alzheimer é a mais comum. Devem ter componentes genéticos, que a pessoa já nasce com a predisposição, mas devem existir fatores externos também. Alguns fatores de risco são: o baixo nível de utilização cerebral, doença cardiocirculatória ou cardiovascular, tabagismo, sedentarismo, a depressão, envelhecimento, entre outros.
NNoticia: O adesivo Excelon Path funciona da mesma forma que os medicamentos já usados normalmente?
Dr. Paulo: É uma nova forma farmacêutica, que permite que a medicação entre diretamente na circulação sanguínea e poupa o estômago.
NNoticia: O que acontece com o cérebro de uma pessoa que tem a doença?
Dr. Paulo: Ocorre uma alteração. Há a morte de neurônios da região hipocampo, responsável pela memória. A primeira manifestação é a perda da memória recente.
NNoticia: Os familiares de uma pessoa que tenha a doença devem estimular a memória ou não?
Dr. Paulo: Não, de jeito nenhum. A doença é tratada de forma farmacológica e também não farmacológica. É necessário cuidar do ambiente onde vive o paciente. Os familiares devem ser educados a respeito da doença e como conduzir o paciente.
NNoticia: A doença de Alzheimer pode gerar depressão?
Dr. Paulo: Pode causar ansiedade e depressão.
NNoticia: Há tratamento para esta doença?
Dr. Paulo: A medicina conta de tratamentos farmacológicos que podem desacelerar a deficiência.
NNoticia: É possível a pessoa que possui a doença viver de forma independente?
Dr. Paulo: Na fase leve o individuo tem um insight. Mas a funcionalidade dele está prejudicada, então é prudente, desde a fase leve, ter uma ajuda.
Contato: canineu@splicenet.com.br
DEPRESSÃO – ÚLTIMA PARTE
Data: 31/08/08
DEPRESSÃO É DOENÇA
Por: Natália Alves
Como dito anteriormente, a depressão pode se manifestar por variados motivos. Pode ser uma doença química, quando a pessoa tem os sintomas sem nenhum motivo, ou seja, sente tristeza, nervoso, mau humor, entre outros sintomas, mesmo estando em uma fase boa da vida.
A doença também pode ser uma conseqüência de um quadro genético, ou seja, histórico familiar ou uma conseqüência de uma situação dolorosa que a pessoa esteja vivenciando como, por exemplo, uma doença ou uma separação.
Para esclarecer um pouco mais sobre a doença, o médico Daniel Segenreich respondeu algumas perguntas para o blog NNoticia. O doutor é formado em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ, residência pelo IPUB/UFRJ, título de especialista pela ABP, mestre em Psiquiatria pela UFRJ e exerce a profissão há sete anos.
Segue a entrevista:
NNoticia: Depressão é doença?
Dr. Daniel: Sim. Depressão é uma doença reconhecida pela organização mundial de saúde
NNoticia: Existem tipos diferentes de depressão ou seria mais correto dizer que existem motivos diversos?
Dr. Daniel: Existem tipos diferentes sim. A causa não define estes tipos e sim a qualidade dos sintomas e sua gravidade.
NNoticia: Quais são os sintomas mais comuns?
Dr. Daniel: Os sintomas mais comuns são: humor triste, apatia, desânimo, insônia ao final da noite, perda de apetite, desatenção, falta de memória, entre outros.
NNoticia: A depressão é uma doença genética?
Dr. Daniel: A depressão possui em sua etiologia um componente genético sim. Porém, a genética não é sozinha a causa para depressão. Equivale dizer que história familiar de depressão aumenta o risco de se ter depressão.
NNoticia: Pessoas depressivas tendem a cometer suicídio?
Dr. Daniel: Comparando pessoas com depressão de pessoas sem qualquer quadro clínico psiquiátrico, os deprimidos tendem a tentar suicídio mais freqüentemente. Porém, portadores de transtorno bipolar têm risco mais aumentado e até esquizofrênicos tentam o suicídio. Ou seja, não é exclusivamente associado à depressão.
NNoticia: Como é feito o tratamento?
Dr. Daniel: O tratamento é feito combinando medicação antidepressiva, psicoterapia adequada, suporte familiar, exercícios de respiração e relaxamento, exercícios físicos e melhora de hábitos comportamentais e alimentares.
Forma de contato com o doutor Daniel Segenreich: danielsegen@gmail.com
DEPRESSÃO – PARTE 1
Data: 14/08/08
DESÂNIMO PARA VIVER
Por: Natália Alves
Falta de interesse pela vida, desânimo constante e uma tristeza profunda, estes são uns dos sintomas da depressão. Muitas pessoas acreditam que depressão é apenas uma tristeza passageira ou mesmo uma bobeira, mas com a evolução da medicina já se sabe que depressão não é brincadeira, deve ser tratada e pode ocorrer em crianças, adultos e idosos.
A depressão, atualmente, já é tratada como doença e pode acarretar tanto problemas físicos quanto psicológicos. Segundo o site ABC da Saúde, as mulheres têm tendência duas vezes maior que os homens em obter a doença. Basicamente, depressão é uma doença que afeta o estado de humor devido o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do humor.
Pode causar vários transtornos à vida da pessoa e não existe um único sintoma ou motivo. Os motivos podem ser variados dependo da vida de cada um. Os sintomas podem variar entre psicológicos como, por exemplo, perda de energia; falta de concentração; mudanças no apetite e no sono; pessimismo; tristeza; ou físicos como, por exemplo, impotência sexual, tendência a infecções viróticas ou bacterianas e se a pessoa antes de ter depressão já obtém alguma doença pode haver o agravamento desta.
Uma forma de entender melhor a depressão e suas conseqüências é saber o que uma pessoa depressiva sente e como a doença lhe afeta no convívio social. Lu (a entrevistada não quis ser identificada), 28 anos, estudante de Letras, tem depressão e contou sua experiência de vida com a doença ao blog Nnoticia.
Segue a entrevista:
NNoticia: Você considera depressão uma doença?
Lu: Apesar de ser considerada uma doença pela maioria dos psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas, eu considero a depressão como um estado de humor relacionado a uma tristeza muito profunda, que não tem, necessariamente, uma razão de ser. E tratá-la com remédios é uma forma de amenizar os sintomas, trazendo outros efeitos colaterais que considero piores que a própria depressão.
NNoticia: Como você chegou a conclusão de que tem depressão?
Lu: Através do diagnóstico de alguns psiquiatras e psicoterapeutas. Não há um consenso quanto à depressão somente, pois ela é alternada com episódios curtos de mania, o que me classificaria como bipolar, hipomaníaca ou psicótica maníaco-depressiva.
NNoticia: Chegou a fazer tratamento? Se sim, ainda faz? Como foi, ou é, o seu tratamento?
Lu: Cheguei a fazer tratamento com terapia e medicamentos por dois anos. A terapia foi, até certo ponto, muito positiva. Quanto aos medicamentos, não me adaptei a nenhum deles. Como o meu quadro de depressão é alternado com episódios de mania, era necessário alternar antidepressivos com ansiolíticos. Cada um deles causou um efeito colateral distinto. Por isso, hoje não faço mais tratamentos tradicionais. Faço yoga, meditação e shiatsu, eventualmente.
NNoticia: Quais foram os primeiros sintomas que chamaram sua
atenção?
Lu: Desde muito pequena sentia tristezas profundas e na adolescência comecei com episódios de cutting.
NNoticia: O que é “episódios de cutting”?
Lu: Cutting é uma forma de automutilação com objetos cortantes, em momentos de crise extrema.
NNoticia: Já tentou entender o por que você tem depressão? Há um motivo ou seria uma somatização de problemas?
Lu: Acredito que a depressão não seja causada por um único fator, mas também não acredito que seja possível “colocar a culpa” em problemas e traumas de infância, por exemplo. Cada pessoa tem experiências de vida distintas e todas passam por traumas, choques ou pequenos sofrimentos que juntos podem acarretar mudanças no humor e no comportamento em longo prazo. Mas não acredito que seja possível detectar, em cada pessoa, os motivos para isso. Também não acredito que seja somente um desequilíbrio químico, como alguns crêem.
NNoticia: Como você lida com a depressão no seu dia-a-dia? Chega a atrapalhar sua vida pessoal e profissional?
Lu: A depressão já me atrapalhou muito, em muitos aspectos. Hoje considero que aprendi a conviver com ela e usá-la a meu favor. É nos momentos de maior depressão que minha criatividade fica mais aguçada.
NNoticia: O que você diria para as pessoas que passam pelo mesmo problema que o seu?
Lu: Cada pessoa deve buscar, antes de mais nada, conhecimento sobre o assunto, sempre filtrando as informações, pois há muito mito sobre a depressão. E buscar o tratamento que achar adequado.
VACINAÇÃO CONTRA RUBÉOLA
Data: 07/08/08
Sábado, 9, começa a Campanha Nacional de Vacinação para Eliminação da Rubéola
Por: Natália Alves
Começa dia 9 de agosto a Campanha Nacional de Vacinação para Eliminação da Rubéola com término em 12 de setembro. Apesar da rubéola infectar tanto os homens quanto as mulheres o foco da campanha será imunizar os homens, pois em 2007 eles representaram 70% dos casos no país.
Homens e mulheres entre 20 e 39 anos, em todo o país, devem procurar locais de vacinação para a imunização que será realizada com a aplicação da vacina dupla viral (sarampo e rubéola). Já os jovens com idade entre 12 e 19 anos serão imunizados com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), mas apenas nos estados do Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.
A imunização será feita também nas pessoas que já foram vacinadas anteriormente. Mas mulheres grávidas não podem ser vacinadas e as mulheres que receberem a vacina só podem engravidar após um mês da vacinação. Em São Paulo a vacinação ocorrerá de segunda à sexta das 8 às 17 horas nos postos de saúde. Em Mato Grosso do Sul a vacinação já começou desde o dia 4 de agosto.
A rubéola é uma doença infecto-contagiosa causada por vírus e que contagia tanto crianças como adultos. O contágio pode se realizar através do contato com secreção nasal ou fluidos da boca de uma pessoa contaminada. Por exemplo, se uma pessoa contaminada espirrar ao lado de uma pessoa sem a doença esta pode adquiri-la.
Os sintomas podem ser parecidos com de diversas viroses, como uma simples gripe, e podem se manifestar através de febre, manchas na pele, coriza, tosse, vermelhidão nos olhos, dor nas articulações e perda apetite. Não há tratamento específico, a melhor maneira é evitar a doença, ou seja, vacinar-se.
O maior perigo é para as gestantes, pois a doença pode passar para os bebês através do sangue da mãe e gerar problemas como má-formação do feto, aborto ou pode ocorrer da criança nascer com síndrome da rubéola congênita o que gera diversos problemas como, por exemplo, deficiência auditiva e malformações cardíacas. A melhor forma de se diagnosticar a doença é através do exame sanguíneo, ou seja, exame que detectará a formação de anticorpos contra a rubéola.
OBESIDADE – PARTE 1
Data: 28/05/08
A Doença dos Tempos Modernos
Por: Natália Alves
Doces, salgadinhos, sanduíches, pizzas e refrigerantes são exemplos de uma má alimentação que já se tornou hábito e, às vezes, chega a substituir o almoço e o jantar. Esta má nutrição, juntamente com fatores como, por exemplo, descontrole emocional e o sedentarismo, gera uma doença que esta crescendo mundialmente, a obesidade.
Apesar de este tema estar chamando a atenção recentemente não é um problema atual. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40,6 %, ou seja, 38,8 milhões de pessoas estão com excesso de peso em uma avaliação realizada com 95,5 milhões, de 20 anos ou mais de idade.
A obesidade é o excesso de gordura no corpo. A massa de gordura considerada normal em um indivíduo é de 20% de seu peso e 80% de massa magra (músculos, água muscular, ossos e órgãos). O acúmulo de gordura corporal ocorre quando a ingestão de calorias do indivíduo é maior do que a queima.
São diversos os fatores que acarretam a doença. Um deles é o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) que é a ingestão de alimentos, de forma excessiva, por certo período de tempo. Após este distúrbio alimentar a pessoa sente angústia e culpa. O estresse e a solidão são uns dos vilões deste transtorno.
Através de uma entrevista por MSN a estudante de Turismo, Ana Cláudia Garqui, de 19 anos, falou sobre os problemas que enfrenta devido à obesidade e como tenta ajudar as pessoas que passam pelas mesmas situações.
Segue a entrevista:
NNoticia: Você se considera obesa?
Ana: Sim. Na verdade é mais do que um considerar, tenho certeza. Meu *IMC passou de 40, o que já aponta a obesidade mórbida.
*Índice de Massa Corporal
NNoticia: Com que idade você percebeu que estava acima do peso?
Ana: Eu sempre fui “fofinha” desde criança, mas aos 12 anos eu fiquei doente. Foi diagnosticado um tipo de reumatismo, e com isso, eu precisei tomar um remédio que além de abrir o apetite da pessoa, incha e engorda. Dos meus 12 anos para cá minha vida em relação à estética mudou drasticamente. Engordei muito devido a isso, mas agora a doença já está controlada. Porém eu continuo gorda, pois desenvolvi, junto com o ganho de peso, o pensamento de gordo.
NNoticia: O que seria “pensamento de gordo”?
Ana: Por exemplo: comer por gula. Às vezes nem se está com fome, mas por saber que tal comida é gostosa você come por prazer. A ansiedade e decepções são todas descontadas na comida. Você tenta emagrecer, mas sempre ficam aqueles pensamentos: “é gostoso”, “só hoje não vai fazer mal”. Então, não adianta querer emagrecer e não mudar a maneira de pensar também.
NNoticia: Depois que você fez o tratamento para o reumatismo chegou a buscar algum tratamento para emagrecer?
Ana: Sim, diversos deles. Tentei várias dietas milagrosas. Fui ao endócrino e psicólogo, mas eu não tive vontade de continuar. Fui me afundando e me fechando para as possibilidades cada vez mais. Coloquei na cabeça, uma época, que gostaria de operar o estômago, mas a minha mãe não aceita por ser uma cirurgia de risco.
NNoticia: O que te fez buscar todos estes tratamentos? Saúde ou Estética?
Ana: Sinceramente? Estética. Odeio ser gorda. Me privo de sonhos por ser assim. Não vivo como gostaria por ser gorda. Passo preconceitos. Me olho no espelho e sinto vontade de chorar. Não gostaria de me ver dessa maneira nunca mais. Eu queria ser uma pessoa “normal” dentro da sociedade porque, para a maioria, ser normal é ser magro. É o famoso padrão de beleza. Me prejudica muito, e não só eu, digo no geral. É difícil para ser aceito na sociedade do jeito que você é. Arrumar emprego, amigos, namorados, tudo é mais difícil. E, conseqüentemente, tratando da estética a saúde vem junta.
NNoticia: Mas você tem uma comunidade, “As gordinhas são as melhores”, que passa a idéia de que você se aceita como é. Já que você disse que não gosta de ser gorda por que criou esta comunidade?
Ana: O intuito da comunidade era reunir pessoas que se sentem como eu para uma animar a outra. Fazer amigos, se descontrair, dar risada, quem sabe, até formar casais. Um tempo atrás, antes de completar meus 18 anos, não estava nem aí por ser gorda, eu me sentia bem assim e era feliz. Mas fui mudando de idéia a partir do momento em que precisei sair do “colo” da minha mãe. Ir atrás de um emprego e ir para faculdade. Eu vi que a sociedade nos cobra isso. Se não mudarmos nós nos prejudicaremos porque “eles” são a maioria, então se não entrarmos no perfil “deles” não conseguiremos nada. Sempre existem suas exceções, gordinhos que se dão bem na vida. Mas prefiro não arriscar para saber se seria uma delas.
NNoticia: Você acredita que já perdeu oportunidade de emprego por ser gorda?
Ana: Posso ter perdido sim, mas nenhuma tive a certeza. Mas concorrer com magras é difícil. Elas sempre se mostram “mais dispostas”, então, conseqüentemente, são as escolhidas.
NNoticia: Tem algum problema de saúde ocasionado pela obesidade?
Ana: Por enquanto, não tive nenhum problema grave por causa da obesidade. Uma vez ou outra sinto muita falta de ar para dormir, mas não é sempre. E, ás vezes, sinto dor nas costas.
NNoticia: Já que você se incomoda com sua estética e tem alguns problemas de saúde, o que falta para conseguir emagrecer?
Ana: Força de vontade e motivação. Para quem está fora é fácil julgar e falar “Você está assim porque você quer”, “Você não tem vergonha na cara”. Mas não é fácil. Eu tento achar motivação em algo, mas sempre fracasso. Auto-estima nenhuma. Sinto desejo de mudar, mas a maldita força de vontade não vem.
NNoticia: Em sua comunidade você tem contato com outras pessoas que têm obesidade. Você tem idéia de quais são as maiores dificuldades, em comum, que elas enfrentam?
Ana: A maioria das queixas é no campo amoroso. Sempre da errado.
NNoticia: No caso dos homens, eles têm as mesmas dificuldades que as mulheres?
Ana: Lá não tem muitos gordinhos, mas nunca vi, os poucos que participam da comunidade, postarem algo reclamando sobre essa dificuldade.
NNoticia: O que você diria para as pessoas que sofrem preconceitos por parte da sociedade e por si mesmos?
Ana: Que ou se aceitam como são e se gostem assim e enfrentam os problemas e preconceitos ou que mudem enquanto há tempo.
Comunidade no Orkut criada por Ana Cláudia:
As gordinhas são as melhores: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=258043
ANOREXIA E BULIMIA – PARTE 2
Data: 12/09/07
“Estilo de Vida” ou Doença?
Por: Natália Alves
A pessoa com anorexia nervosa tem uma visão distorcida do próprio corpo, ou seja, pensa que está sempre gorda. A preocupação extrema com o peso e a estética leva os anoréxicos a comerem o mínimo possível. Geralmente, tabelas contendo as calorias de diversos alimentos fazem parte da rotina alimentar. Algumas das conseqüências da anorexia são: desnutrição, interrupção da menstruação, isolamento social e depressão.
Como já citado na primeira parte desta matéria, a anorexia pode vir acompanhada da bulimia como, por exemplo, após o término de um almoço em família o anoréxico vai até o banheiro e força o vômito. Sendo que esta cena fica cada vez mais rara no âmbito familiar, pois o anoréxico prefere levar a comida para o quarto para jogá-la fora sem que os pais percebam.
Holly estuda no terceiro ano do ensino médio, faz cursinho e pretende cursar economia na faculdade. Em uma entrevista, por e-mail, ela falou sobre sua vivência com a anorexia mostrando uma visão diferenciada e também deixou um recado para quem tem este distúrbio alimentar e os pais destas pessoas.
Segue a entrevista:
NNoticia: O que você entende por anorexia?
Holly: Anorexia pode ser entendida de mil maneiras. Eu com cinco anos de experiência de T.A. (transtorno alimentar) aprendi a classificar qualquer pessoa com qualquer “sintoma” em três categorias. A primeira e o que mais se tem (e isso é só em sites de relacionamentos no Brasil) é a ANOREXIA FORÇADA, meninas que ouvem falar de uma comunidade pró-ana no Orkut e ia atrás disso. Se você entrar nessas comunidades você vê tópicos dessas meninas do tipo “QUANTO EU EMAGREÇO SE EU FICAR TRÊS DIAS EM JEJUM?”. Elas estão à caça da doença. Elas duram seis meses, no máximo, no Orkut e “desistem” porque as coisas não funcionam assim. Isso é a conseqüência da mídia, culto a uma beleza autodestrutiva e fator que vem de uma ignorância gigante.
A segunda é a ANOREXIA NERVOSA, que é o transtorno alimentar que a gente conhece, meninas chorando, se mutilando, sem comer, emagrecendo, se vendo gorda e se matando. A maioria que começou com isso nunca tinha ouvido falar sobre isso. Aconteceu comigo e com a maioria das sofredoras de anorexia nervosa. Essa sim é a doença. No meu caso, eu fui internada. O sistema de tratamento pra anorexia nervosa no Brasil é pior que a anorexia em si. Quando a menina não concorda com o tratamento (no meu caso e 85% dos casos no Brasil) eles a “dopam” para não ter vontade própria. Não é ilegal e faz parte do tratamento, mas é desumano. Eu não tinha noção do que tava fazendo, fiquei três meses assim e quando voltei pra casa e parei com os remédios eu não lembrava do tempo na clínica, mas tinha pesadelos com o tanto de remédio que eu tomava. O meu IMC (índice de massa corporal) foi de 16 (anoréxico) para 25 (obeso leve). E ainda fiquei mais quatro meses comendo e comendo ate passar mal só pelo medo de ser internada mais uma vez. Depois comecei a perder o medo de perder peso de novo e comecei a estudar isso, dai aprendi o que virou a ANOREXIA SUSTENTÁVEL. Aprendi que é possível ter um peso anoréxico sem se matar. Comecei a perder peso devagar comendo bem menos que o recomendado (100 kcal quando o recomendado era 1200 pra quem quer perder peso), porém suprindo todos os nutrientes, minerais e vitaminas. Tinha a tabela do número de gramas que eu tinha que comer, tabelas com todos os valores nutricionais dos alimentos. Começou a dar certo, fui atrás dessa coisa de comunidade pró-ana num site de relacionamento canadense. Aprendi muito, e fui pro Orkut.
Hoje no Orkut, sempre que conheço uma menina (recebo uns quatro convites de amizade por dia) tento descobrir em que caso a menina se encaixa. Seis meninas foram o número de meninas que eu ajudei que chegaram já no peso que querem, sem complicações, sem doenças, sem problemas no coração, fígado e sem faltar nutriente. Vinte e dois é o número de meninas que eu to ajudando agora.
NNoticia: Você citou que já teve anorexia nervosa. Gostaria que você falasse um pouco como era a sua rotina de vida nesta época, com relação a seus hábitos alimentares, e também se você chegou a ter bulimia?
Holly: Bulimia nervosa não, mas forçava vômito sempre que alguém me fazia comer. Mas não tinha aquela coisa de ter uma compulsão e comer tudo e me trancar no banheiro para vomitar.
NNoticia: Foi você quem decidiu fazer um tratamento ou foi obrigada? E como foi seu tratamento?
Holly: Fui obrigada. A clínica era do tipo “Nós confiamos em você até que você prove o contrário”. Eu tinha minhas vitaminas pra tomar, minhas barras de cereais pra comer. Uma vez falei pra minha enfermeira que não conseguia comer as barras do almoço de uma vez e pedi pra dar uma mordida de uma em uma hora, ir comendo durante o dia. Ela falou que não, porque se você comer menos de 60 kcal com distância de, pelo menos, uma hora da última vez que você comeu as calorias são gastas na digestão, ou seja, são insignificantes. Então comecei a comer de mordida em mordida pra não engordar. Quando descobriram mudei de andar e fui para a ala dos Casos Graves, onde eles me tratavam com cápsulas em vez de comida (cápsulas de gordura, proteína e vitamina). Uma hora meu corpo começou a rejeitar e eles tiveram que sedar uma parte do sistema nervoso, então os últimos três meses eu passei quase inconsciente.
NNoticia: Como é sua relação com seus pais?
Holly: Eles exigem de mim algo que eles consideram “normal” de uma pessoa. Eu odeio essa coisa de normal. Eles devem rezar todos os dias pedindo que Deus me ilumine e ponha juízo na minha cabeça. Pra eles essa coisa de anorexia é coisa que eu vi em revista, ou filme, e acho que é “legal” ter uma doença e chamar atenção, eles não entendem que alguém possa achar isso bonito.
NNoticia: Vi, no Orkut, que você criou uma comunidade sobre anorexia, *“12 steps for anorexia”. Você tem outras comunidades ou páginas na Internet como, por exemplo, blog com este mesmo tema?
Holly: Eu tenho uma comunidade onde as meninas abrem diários e postam diariamente o que comeram, o que fizeram e eu vou ajudando com dicas pra elas perderem peso sem se matar de vez. Tenho uma comunidade sobre dietas, moda, fofocas de celebridades e receitas, mas nessa comunidade a palavra “anorexia” nunca apareceu, ela é uma comunidade mais pra todo mundo.
NNoticia: Sofre ou já sofreu preconceito por parte de familiares ou amigos?
Holly: Sim, para eles tudo que eu queria, e quero, é atenção, mas nunca me preocupei em me explicar. Se as coisas saírem do controle sei que tenho eles para me avisar. Se eu tiver com aparência exagerada, desmaiando ou me matando eles vão sempre falar: CHEGA. Então eu gosto do fato deles não “entenderem”, é bom ter alguém pra te mostrar o outro lado.
NNoticia: Voltando a falar da sua comunidade “12 steps for anorexia”, há um link que ao clicar abre uma página com doze tópicos que ensinam e incentivam as meninas a chegarem na anorexia ou se manterem nela. Como você já citou acima, você explica a essas meninas a se manterem na “anorexia sustentável”. Três tópicos me chamaram a atenção e são eles:
03. Ter ana como um estilo de vida, e não doença. E acreditar fielmente que essa foi a melhor “escolha”.
Enquanto a grande maioria das pessoas vê a anorexia como doença você a classifica como estilo de vida. Não seria uma forma deturpada de perceber a doença? Não é perigoso se manter, segundo suas palavras, na “anorexia sustentável”?
Holly: Na verdade não. A pessoa que atinge a “anorexia sustentável” é a magrela pro resto da vida. O perigo ta na doença, se você levar como um “estilo de vida” e não uma doença você se focaliza em alcançar o equilíbrio e o bem estar e não se permite ir a extremos como uso crônico de laxantes nem compulsões alimentares. É como se tirasse todo o valor da vida dela nesse negócio de emagrecer.
08. Faça uma lista de coisas a fazer quando estiver alcançado sua meta. Faça planos de alguns dias de nf e lf. Coloque tudo em prática.
O que é NF e LF?
Holly: NF é jejum. O jejum não é ficar sete dias sem comer e depois comer. Você vai diminuindo a quantidade de comida durante uma semana até chegar a zero, fica três dias no máximo com água e dai devagar vai voltando a comer. É um tratamento que usam em várias clínicas de desintoxicação de drogas, álcool e etc. Desintoxica de todas as toxinas, inclusive as dos alimentos industrializados. Usamos NF (No Food) em vez de Jejum porque no Orkut está mais banalizado.
LF é Low Food. Isso é diário: marcar calorias e comer apenas elas. Vai de 50 a 400 no máximo, mas tem gente por ai que conta 600. Isso é pra quem quer emagrecer pro peso ideal, não anoréxico. O mais “famoso” é o LF de 200 kcal.
10. Como você se controla, percebe que não precisa de comida.
Por que não ter um corpo bonito e saudável através de uma alimentação saudável ao invés de estar sempre fazendo dietas e o tempo todo controlando calorias e quantidades?
Holly: Quando você fala de beleza é relativo. O que é bonito para uns, para os outros não é, não é por isso que se tem esse interesse de saber por que queremos ser magras ao extremo? Vocês acham feio, nós não. Alimentação saudável é relativo igual. Alimento é combustível e só devemos comer o que precisamos. Não corremos risco da comida acabar, não precisamos estocar comida. Comemos para viver, não vivemos para comer. E não precisamos de 2.000 calorias diárias, isso não é saudável.
NNoticia: O que você espera alcançar com a anorexia?
Holly: Meu corpo do jeito que eu gosto de volta.
NNoticia: Para terminar gostaria que você deixasse uma mensagem para as pessoas que estão passando por tudo que você já passou e ainda passam. E também uma mensagem para os pais dessas pessoas.
Holly: Para quem passa por isso, pergunte-se “por quê?”. Não faça isso por pressão alheia, para chamar atenção ou porque acha que é “cool”, e se no final você ainda quiser continuar faça as coisas direito: nada de desmaios, anemia ou quaisquer complicações médicas. Pesar pouco é fácil, se levantar pesando pouco é o desafio.
Pais: com o tempo seus filhos vão ou desistir ou alcançar um equilíbrio, não interfiram, eles precisam enfrentar sozinhos, mas qualquer sinal de complicação na saúde vão ao médico e tratem disto clinicamente e nada de psicólogos, ou vocês terão filhos com pulsos cortados e cada vez mais “rebeldes”.
ERRATA:
Na primeira e na segunda parte desta reportagem, sobre anorexia e bulimia, foi citado que uma pessoa pode ter anorexia e bulimia ao mesmo tempo, mas de acordo com a psicóloga Joyce Peu isto não é possível, pois “é “comum” um anoréxico desenvolver bulimia ou compulsão alimentar. Quando isso ocorre, ele sai do quadro de anorexia” (Joyce Peu).
Devido à troca de página para categoria os comentários da página Saúde foram apagados junto com a página, mas os copiei e colei aqui:
1 - Posso ser um pouco chata?
“Como já citado na primeira parte desta matéria, a anorexia pode vir acompanhada da bulimia como, por exemplo, após o término de um almoço em família o anoréxico vai até o banheiro e força o vômito.”
Não, anorexia não pode vir acompanhada de bulimia. Acredito que você tenha feito referência a um subtipo de anorexia – a purgativa. Bulimia e anorexia são quadros excludentes. Um indivíduo não pode ter anorexia “E” bulimia; ou tem um quadro, ou tem o outro. Pode, sim, ter um quadro por um período e, noutro período, ter o outro. Os dois juntos NEVER. É “comum” um anoréxico desenvolver bulimia ou compulsão alimentar. Quando isso ocorre ele sai do quadro de anorexia – óbvio – e, portanto, não pode mais ser dito que ele seja um anoréxico. \o/
Comentário de Joyce Peu |
2 - “O sistema de tratamento pra anorexia nervosa no Brasil é pior que a anorexia em si.”
Concordo!
“Quando a menina não concorda com o tratamento (no meu caso e 85% dos casos no Brasil) eles a ‘dopam’ para não ter vontade própria. Não é ilegal e faz parte do tratamento, mas é desumano.”
(Sei que se trata da opinião da moça, mas vou comentar.) Desconheço o dado dos 85%. Foi no chutômetro? Bah, não importa. “Dopar” a paciente para que ela não tenha vontade própria é uma maneira bastante agressiva de compreender o tratamento mas, infelizmente, tem seu quê de realidade. Vou exemplificar: uma equipe recebe um menor trazido pelos pais em estado grave de desnutrição. O tal paciente não colabora com a realimentação, tem comportamentos auto-agressivos, mutila-se. A equipe é responsável por aquele menor enquanto ele estiver no hospital. Se ele cortar um dedinho, certamente os pais dele não vão gostar. O “hospital” pode ser processado. Se ele morrer porque a equipe respeitou a vontade dele – de não se alimentar, digamos -, e aí? Desumano (nas palavras da moça) é tratar ou não tratar? O compromisso da equipe é com a vontade anoréxica do paciente ou com a manutenção da vida dele?
Comentário de Joyce Peu
3 - “Pais: com o tempo seus filhos vão ou desistir ou alcançar um equilíbrio, não interfiram, eles precisam enfrentar sozinhos, mas qualquer sinal de complicação na saúde vão ao médico e tratem disto clinicamente e nada de psicólogos, ou vocês terão filhos com pulsos cortados e cada vez mais ‘rebeldes’.”
Existe a possibilidade de os filhos morrerem também… ou de ficarem com seqüelas pro resto da vida. Acho difícil que um pai e uma mãe não queiram “interferir”. Rá, e não entendi o porquê do “nada de psicólogos”. Eu, até hoje, não cortei o pulso de nenhum paciente. =D
Comentário de Joyce Peu
4 - Natalia ficou muito boa a reportagem, colocou tudo certo, mostrou todos os lados. Os 85% eram na época que eu fui, e tinha acabado de sair um estudo das doenças no Brasil, e sim 85% dos internados por T.A. no Brasil tinham sido obrigados. E sobre nada de psicólogo, eu falo pq psicologia não cura a pessoa, nem ajuda ela a perceber nada. Discutir o que a pessoa acha sobre o T.A. só faz vir a depressão. Se o problema eh psicológico a pessoa precisa de amor dos pais, carinho, paciência. Minha opinião.
Comentário de Holly
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