NNOTICIA

INFORMAÇÃO E CULTURA

OBESIDADE – ÚLTIMA PARTE

Data: 13/06/08

TRATAMENTOS

Por: Natália Alves

Além de uma alimentação saudável e exercícios físicos existem outros métodos que ajudam a emagrecer como, medicamentos, balão intra-gástrico e cirurgia bariátrica.

Os remédios utilizados para o tratamento da obesidade funcionam como inibidores de apetite fazendo com que a pessoa se sinta saciada comendo menos do que de costume. Mas o uso de medicamentos é recomendável apenas para quem tem o índice de massa corpórea superior a 30 e que tem dificuldade para emagrecer mesmo praticando exercícios e mudando a alimentação. Remédios só devem ser administrados com o auxílio de um médico, pois o uso indiscriminado pode causar danos à saúde como, dependência e o não emagrecimento. Lembrando que apenas o médico pode avaliar o remédio e a dose certa a serem administrados pelo paciente.

O balão intra-gástrico (BIG) (uma bolsa esférica e lisa de silicone contendo soro fisiológico mais azul de metileno (corante azul)) é introduzido no estômago através da endoscopia sob sedação ou anestesia. O tempo de duração é de seis meses. O balão, assim como os medicamentos, provoca diminuição de apetite e o espaço que o balão ocupa no estômago diminui a capacidade do reservatório gástrico, possibilitando o emagrecimento. Para usar este método é necessário que a pessoa tenha o IMC acima de 35 e não possa fazer cirurgia por contra-indicação médica. Quem tem o IMC abaixo de 35 só pode colocar o BIG no caso de não ter resultados com tratamento clínico por mais de três anos.

Uma das cirurgias que faz a redução do estômago é a gastroplastia vertical com bandagem. Colocam-se grampos cirúrgicos no estômago o dividindo. Simplificando, o estômago fica dividido em uma parte menor e outra maior e na passagem dos alimentos da menor para a maior é colocada uma bandagem para a abertura não alargar. Quando o alimento é ingerido ele entra na primeira divisão, como se fosse um pré-estômago, assim o bolo alimentar vai lentamente para a outra divisão do estômago, isto faz com que haja uma sensação de saciedade precoce.

Raquel Shebabo é estudante, tem 27 anos e fez a cirurgia bariátrica. Através de uma entrevista cedida ao blog NNoticia ela esclareceu dúvidas sobre a cirurgia e contou como está sua vida pós-cirúrgica.

Segue a entrevista:

NNoticia: Faz quanto tempo que você fez a cirurgia de redução de estômago? Quantos quilos perdeu até agora?

Raquel: Fiz a cirurgia no dia 07 de maio de 2005. Faz três anos de cirurgia e eliminei 80kg. Pesava 137kg e hoje estou com 57kg.

NNoticia: Por que você decidiu fazer a cirurgia?

Raquel: Estava com sérios problemas de saúde, e quase todo dia eu estava na emergência. Devido a gravidade fui indicada, pelos médicos de plantão do Hospital São Luiz – Itaim, para fazer esta cirurgia. Foi tudo muito rápido, não tive nem como sentir medo, mas já havia obtido as informações referente a gastroplastia.

NNoticia: Quais são os procedimentos necessários para se fazer a cirurgia?

Raquel: Hoje em dia, os convênios antes de autorizar a cirurgia pedem ao paciente para fazer um curso sobre todos os procedimentos que podem acontecer antes, durante e após a cirurgia.

Essa cirurgia só é indicada para aqueles que estão com o peso muito acima do considerado ideal, ou com Índice de Massa Corpórea superior a 40. É feito uma bateria de exames, depois é necessário passar pelo clínico geral, nutricionista e psicólogo para realização da cirurgia que é indicada pelo cirurgião.

NNoticia: Você teve algum problema pós-cirúrgico?

Raquel: Não, foi tudo muito tranqüilo.

NNoticia: O que mudou no seu cotidiano?

Raquel: Consigo desenvolver todas as atividades sem sentir cansaço e indisposição. Tenho uma vida normal como a de qualquer outra pessoa e agora consigo me candidatar à vagas de qualquer setor. Antes eu tinha que escolher, pois o preconceito é enorme. Estou realmente vivendo, como nunca vivi.

NNoticia: Sente algum arrependimento ou está satisfeita com o resultado?

Raquel: Estou extremamente satisfeita e faria tudo novamente.

Nunca fui tão feliz em toda a minha vida, me sinto realizada e com a auto estima elevada. Não me sinto inferior a ninguém e consigo realizar qualquer coisa, não sinto medo da vida.

NNoticia: O que você diria para quem está com obesidade e pensa em fazer a cirurgia bariátrica?

Raquel: A Gastroplastia não é milagrosa, se você fizer a cirurgia você terá que seguir as orientações da equipe do seu médico, sua vida vai mudar completamente. Antes de tomar uma decisão, procure por informações sobre a cirurgia, pesquise os riscos antes, durante e pós-cirurgia. Informe todos os riscos a família, todos precisam estar cientes dos riscos! Procure conversar com quem já fez, tire todas as suas dúvidas e, acima de tudo, procure um médico da sua confiança. Saiba que ele fará parte da sua vida, até o final dos seus dias. Faça os acompanhamentos com nutricionista, clinico geral e psicólogo. Se esforce no primeiro ano, pois é o ano que você precisa chegar à meta que é estipulada pelo seu médico.

Todo convênio é obrigado a cumprir a internação e a cirurgia, agora é lei!! Normalmente os convênios fazem coisas que muitos acabam desistindo no meio do caminho, NÃO DESISTA!!

Não acredite em promessas milaborantes! Coloque os pés no chão e lute pelo seu objetivo! Uma cirurgia não custa menos de R$20.000.00 reais.

Vá às palestras e tenha sempre um advogado pra te auxiliar. Respeite seu organismo, procure mastigar bem e prestar atenção nos sinais do seu corpo, principalmente, na alimentação. Tome os medicamentos todos os dias e faça exercícios, para te ajudar no tratamento.

Depois da gastroplastia algumas pessoas passam por outra transformação, a pele fica flácida e é necessária a cirurgia plástica reparadora. A abdominoplastia já é liberada pelo convênio, algumas pessoas precisam de outras cirurgias, procure seu advogado sempre!

Contato:

e-mail: raquelshebabo@gmail.com

Perfil no Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=5404652170656421022

Comunidade no Orkut:

EU FIZ A CIRURGIA DA OBESIDADE

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2275033

Entrevista da Raquel Shebabo na revista Corpo a Corpo:

http://corpoacorpo.uol.com.br/Edicoes/227/artigo65632-1.asp

FOTOS DE RAQUEL SHEBABO:

Devido à troca de página para categoria os comentários da página Saúde foram apagados junto com a página, mas os copiei e colei aqui:

1 – Olá Natália tudo bemmmmmm??????
Amei a reportagem, espero ter contribuido bastante para os leitores do site…
Um grande beijoooooooooooooooooooo!!
Raquelzinha =D

Comentário de Raquel Shebabo

Setembro 4, 2008 Publicado por Natália Alves | SAÚDE | , , , , , , , | 3 Comentários

OBESIDADE– PARTE 2

Data: 04/06/08

ALIMENTAÇÃO E SAÚDE

Por: Natália Alves

A obesidade, geralmente, se manifesta de forma diferente na mulher e no homem. A forma típica feminina é conhecida como “pêra” pelo fato da gordura se concentrar nos quadris e nos seios. Já a obesidade masculina é conhecida como “maça” por haver maior concentração da gordura no rosto, na barriga e no tronco. A “maça” é o tipo mais perigoso, pois pode gerar diabetes, doenças do coração, nos vasos sanguíneos e apnéia do sono.

Mulheres obesas que desejam engravidar devem tomar cuidados e, de preferência, emagrecer antes de engravidar, pois a obesidade traz riscos tanto para mãe quanto para o bebê. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, grávidas obesas correm riscos maiores de ter complicações no parto e de ter a necessidade de fazer cesariana. A pesquisa avaliou a primeira gravidez de 600 mães e o resultado foi que o trabalho de parto das mães obesas dura, em média, 30% a mais. Uma mãe obesa pode vir, também, a sofrer de diabetes gestacional.

Uma das formas para emagrecer é ter uma alimentação saudável. Uma boa alimentação não serve apenas para isto, mas traz benefícios como, por exemplo, melhor funcionamento do intestino e mais disposição. O peixe é uma opção para quem precisa emagrecer ou para quem quer manter o peso. É um alimento rico em proteínas, gorduras poliinsaturadas, vitaminas A, D e do complexo B e minerais. Uma das gorduras poliinsaturadas encontrada no peixe é o ômega 3. Ele ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares e na redução de gorduras que se alojam nas artérias obstruindo a passagem do sangue, as triglicérides.

Seguem exemplos de peixes magros: Cação (129 cal/100g), Badejo (131 cal/100g), Dourado (88 cal/100g) e Pescada (111 cal/100g). Mas nem todos os peixes são de baixa caloria, existem alguns conhecidos como gordos como, por exemplo, a Anchova e o Atum. Antes de comprar o peixe é bom certificar-se de que não está exposto por muitas horas, pois estraga com muita rapidez. Lembrando, também, que a carne do peixe pode absorver a contaminação das águas, então é recomendável comprar em locais com boa reputação.

Para continuar com o assunto na área alimentar a nutricionista Aline Petter Schneider, através de uma entrevista por e-mail, esclareceu dúvidas comuns sobre alimentos, falou sobre a obesidade e deu dicas para quem precisa emagrecer. Aline Petter é formada em nutrição pelo Centro Universitário Metodista IPA, Mestrado pela UFRGS e Doutorado pela PUCRS. Exerce a profissão há dez anos e trabalha no Instituto de Pesquisas, Ensino e Gestão em Saúde – IPGS (www.ipgs.com.br).

Segue a entrevista:

NNoticia: Como se diagnostica a obesidade?

Aline Petter: Através da avaliação nutricional. O critério mais utilizado, por ser bastante simples, é o índice de massa corporal, obtido pela equação peso dividido pela altura ao quadrado. Indivíduos com IMC acima de 25 são classificados com excesso de peso.

NNoticia: Como saber o peso ideal? Realmente existe um peso ideal para cada pessoa?

Aline Petter: Existem algumas fórmulas para estimar o peso ideal. No entanto, o tipo físico, composição corporal e estrutura óssea podem influenciar nesta definição. Este “peso ideal” tem que ser definido entre paciente e profissional.

NNoticia: Por que estar acima do peso é ruim?

Aline Petter: O excesso de peso está entre os principais fatores de risco para o desencadeamento de doenças crônicas, tais como, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e câncer.

NNoticia: Qual é o primeiro passo a tomar para quem está acima do peso?

Aline Petter: Buscar a ajuda de um nutricionista, preferencialmente, que atue em equipe multiprofissional. Se o tratamento da obesidade fosse tão simples como seguir “dietas de revista” não existiriam tantos obesos. A obesidade é uma doença de causas multifatoriais e precisa de uma terapia muito particular para cada caso.

NNoticia: Como a alimentação pode ajudar a diminuir o peso e melhorar a saúde?

Aline Petter: A obesidade é o resultado de um balanço energético positivo, ou seja, há um consumo elevado de calorias, em relação ao gasto do organismo, salvo se o indivíduo apresentar alguma disfunção endócrina ou metabólica. Modificar hábitos alimentares, não significa, necessariamente, comer menos. Muitas vezes substituímos alimentos de alto teor energético por outros que representam o mesmo tamanho, com baixas calorias, ricos em fibras e altamente saudável.

NNoticia: É possível emagrecer ou manter o peso sem exercícios apenas controlando a alimentação?

Aline Petter: É possível, no entanto, não é o método mais adequado. Durante o tratamento dietético para emagrecer, geralmente se perde também músculos. A atividade física, além de contribuir para diminuição do percentual de gordura do corpo, ajuda a preservar a massa magra (músculos) que são importantes para manter um bom funcionamento do metabolismo.

NNoticia: Qual é a maior preocupação das pessoas quando vão procurar um nutricionista, saúde ou aparência?

Aline Petter: Infelizmente, a aparência.

NNoticia: Existem diversos fatores que podem levar à obesidade, por exemplo, doenças como diabetes ou descontrole comportamental devido ao estresse. Gostaria que você citasse as causas mais comuns.


Aline Petter: As causas que podem levar à obesidade são inúmeras. As mais reconhecidas são as questões psicológicas (o alimento como refúgio muitas vezes), o estresse do quotidiano, a falta de tempo para preparar alimentos saudáveis.

NNoticia: Quando a causa da obesidade é devido a questões psicológicas como é feito o tratamento?

Aline Petter: Requer o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que inclui um psicólogo ou psiquiatra.

NNoticia: A má alimentação pode ocasionar a prisão de ventre, problema enfrentado por muitas mulheres. Quais são os alimentos indicados para acabar com a prisão de ventre?

Aline Petter: Deve-se dar prioridade a alimentos ricos em fibras, tais como: cereais e farelos integrais, feijões, frutas e vegetais acompanhado de muita água.

NNoticia: É comum ouvir as pessoas falarem que não se pode comer tal alimento que engorda ou fazer isso e aquilo que engorda. Gostaria de confirmar se realmente muito do que dizem é correto:

a) Pílula anticoncepcional engorda?

Aline Petter: Pode acontecer retenção hídrica dependendo da tolerância e do hormônio utilizado. Aumento do tecido adiposo é menos comum, mas sabe-se que pode acontecer.

b) Comer assistindo televisão atrapalha a digestão?

Aline Petter: Não é pelo fato de assistir televisão enquanto se come, mas pelo fato de se perder a noção do quanto se come.

c) Dormir após a refeição engorda?

Aline Petter: O que engorda é ingerir mais calorias do que se gasta. Tem pessoas que dormem sempre depois do almoço e são magras. É importante dar ao menos 30 minutos após a refeição, principalmente, almoço e jantar, pois podem acontecer problemas de má digestão (azia e refluxo, por exemplo)

d) Chocolate é, realmente, um grande vilão para quem precisa emagrecer?

Aline Petter: Não necessariamente. Chocolates com maior teor de cacau são, inclusive, auxiliares no processo de emagrecimento.

e) A carne branca é a mais indicada para ter uma alimentação magra?

Aline Petter: Não. Há cortes de carne vermelha que também são magros.

f) Os alimentos e bebidas light e diet não engordam?

Aline Petter: Podem engordar até mais. A legislação sobre isso é bastante ampla e abre margens para muitos problemas de interpretação.

NNoticia: Cite um exemplo de uma refeição saudável para o almoço e o jantar?

Aline Petter: Um almoço saudável deve incluir: cereal integral, feijão, carne magra, vegetais e fruta. Já para o jantar pode-se usar o mesmo modelo do almoço, ou dependendo do caso, adaptar para um esquema de lanche, com um sanduíche nutritivo e um suco natural. As quantidades devem ser ajustadas de acordo com o gasto energético de cada indivíduo.

Contato: e-mail da doutora Aline Petter Schneider: aline@ipgs.com.br

Setembro 4, 2008 Publicado por Natália Alves | SAÚDE | , , , , | Sem comentários ainda

OBESIDADE – PARTE 1

Data: 28/05/08

A Doença dos Tempos Modernos

Por: Natália Alves

Doces, salgadinhos, sanduíches, pizzas e refrigerantes são exemplos de uma má alimentação que já se tornou hábito e, às vezes, chega a substituir o almoço e o jantar. Esta má nutrição, juntamente com fatores como, por exemplo, descontrole emocional e o sedentarismo, gera uma doença que esta crescendo mundialmente, a obesidade.

Apesar de este tema estar chamando a atenção recentemente não é um problema atual. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40,6 %, ou seja, 38,8 milhões de pessoas estão com excesso de peso em uma avaliação realizada com 95,5 milhões, de 20 anos ou mais de idade.

A obesidade é o excesso de gordura no corpo. A massa de gordura considerada normal em um indivíduo é de 20% de seu peso e 80% de massa magra (músculos, água muscular, ossos e órgãos). O acúmulo de gordura corporal ocorre quando a ingestão de calorias do indivíduo é maior do que a queima.

São diversos os fatores que acarretam a doença. Um deles é o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) que é a ingestão de alimentos, de forma excessiva, por certo período de tempo. Após este distúrbio alimentar a pessoa sente angústia e culpa. O estresse e a solidão são uns dos vilões deste transtorno.

Através de uma entrevista por MSN a estudante de Turismo, Ana Cláudia Garqui, de 19 anos, falou sobre os problemas que enfrenta devido à obesidade e como tenta ajudar as pessoas que passam pelas mesmas situações.

Segue a entrevista:

NNoticia: Você se considera obesa?

Ana: Sim. Na verdade é mais do que um considerar, tenho certeza. Meu *IMC passou de 40, o que já aponta a obesidade mórbida.

*Índice de Massa Corporal

NNoticia: Com que idade você percebeu que estava acima do peso?

Ana: Eu sempre fui “fofinha” desde criança, mas aos 12 anos eu fiquei doente. Foi diagnosticado um tipo de reumatismo, e com isso, eu precisei tomar um remédio que além de abrir o apetite da pessoa, incha e engorda. Dos meus 12 anos para cá minha vida em relação à estética mudou drasticamente. Engordei muito devido a isso, mas agora a doença já está controlada. Porém eu continuo gorda, pois desenvolvi, junto com o ganho de peso, o pensamento de gordo.

NNoticia: O que seria “pensamento de gordo”?

Ana: Por exemplo: comer por gula. Às vezes nem se está com fome, mas por saber que tal comida é gostosa você come por prazer. A ansiedade e decepções são todas descontadas na comida. Você tenta emagrecer, mas sempre ficam aqueles pensamentos: “é gostoso”, “só hoje não vai fazer mal”. Então, não adianta querer emagrecer e não mudar a maneira de pensar também.

NNoticia: Depois que você fez o tratamento para o reumatismo chegou a buscar algum tratamento para emagrecer?

Ana: Sim, diversos deles. Tentei várias dietas milagrosas. Fui ao endócrino e psicólogo, mas eu não tive vontade de continuar. Fui me afundando e me fechando para as possibilidades cada vez mais. Coloquei na cabeça, uma época, que gostaria de operar o estômago, mas a minha mãe não aceita por ser uma cirurgia de risco.

NNoticia: O que te fez buscar todos estes tratamentos? Saúde ou Estética?

Ana: Sinceramente? Estética. Odeio ser gorda. Me privo de sonhos por ser assim. Não vivo como gostaria por ser gorda. Passo preconceitos. Me olho no espelho e sinto vontade de chorar. Não gostaria de me ver dessa maneira nunca mais. Eu queria ser uma pessoa “normal” dentro da sociedade porque, para a maioria, ser normal é ser magro. É o famoso padrão de beleza. Me prejudica muito, e não só eu, digo no geral. É difícil para ser aceito na sociedade do jeito que você é. Arrumar emprego, amigos, namorados, tudo é mais difícil. E, conseqüentemente, tratando da estética a saúde vem junta.

NNoticia: Mas você tem uma comunidade, “As gordinhas são as melhores”, que passa a idéia de que você se aceita como é. Já que você disse que não gosta de ser gorda por que criou esta comunidade?

Ana: O intuito da comunidade era reunir pessoas que se sentem como eu para uma animar a outra. Fazer amigos, se descontrair, dar risada, quem sabe, até formar casais. Um tempo atrás, antes de completar meus 18 anos, não estava nem aí por ser gorda, eu me sentia bem assim e era feliz. Mas fui mudando de idéia a partir do momento em que precisei sair do “colo” da minha mãe. Ir atrás de um emprego e ir para faculdade. Eu vi que a sociedade nos cobra isso. Se não mudarmos nós nos prejudicaremos porque “eles” são a maioria, então se não entrarmos no perfil “deles” não conseguiremos nada. Sempre existem suas exceções, gordinhos que se dão bem na vida. Mas prefiro não arriscar para saber se seria uma delas.

NNoticia: Você acredita que já perdeu oportunidade de emprego por ser gorda?

Ana: Posso ter perdido sim, mas nenhuma tive a certeza. Mas concorrer com magras é difícil. Elas sempre se mostram “mais dispostas”, então, conseqüentemente, são as escolhidas.

NNoticia: Tem algum problema de saúde ocasionado pela obesidade?

Ana: Por enquanto, não tive nenhum problema grave por causa da obesidade. Uma vez ou outra sinto muita falta de ar para dormir, mas não é sempre. E, ás vezes, sinto dor nas costas.

NNoticia: Já que você se incomoda com sua estética e tem alguns problemas de saúde, o que falta para conseguir emagrecer?

Ana: Força de vontade e motivação. Para quem está fora é fácil julgar e falar “Você está assim porque você quer”, “Você não tem vergonha na cara”. Mas não é fácil. Eu tento achar motivação em algo, mas sempre fracasso. Auto-estima nenhuma. Sinto desejo de mudar, mas a maldita força de vontade não vem.

NNoticia: Em sua comunidade você tem contato com outras pessoas que têm obesidade. Você tem idéia de quais são as maiores dificuldades, em comum, que elas enfrentam?

Ana: A maioria das queixas é no campo amoroso. Sempre da errado.

NNoticia: No caso dos homens, eles têm as mesmas dificuldades que as mulheres?

Ana: Lá não tem muitos gordinhos, mas nunca vi, os poucos que participam da comunidade, postarem algo reclamando sobre essa dificuldade.

NNoticia: O que você diria para as pessoas que sofrem preconceitos por parte da sociedade e por si mesmos?

Ana: Que ou se aceitam como são e se gostem assim e enfrentam os problemas e preconceitos ou que mudem enquanto há tempo.

Comunidade no Orkut criada por Ana Cláudia:

As gordinhas são as melhores: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=258043

Setembro 4, 2008 Publicado por Natália Alves | SAÚDE | , , , , , , , | 1 Comentário